
Absorto em pensamentos, o velho do moinho tenta compreender o seu contexto e tudo o que está além dos campos verdes da sua colina. Rapidamente ele percebe que o movimento radial do resultado de leis mecânicas dificilmente poderá sofrer alguma alteração.
Indo mais além, o guardião da colina sente a necessidade de algo palpável(não como a esperança nem tampouco como os sonhos)que seja resultado das leis acima referidas,uma manifestação que possa ser ao menos beijada ,um pedaço comestivel de carpe diem.
Ele sabe acima de tudo que o homem é como o cubo mágico. Seus pensamentos fluem em tão sólidas vias como correntes citoplasmáticas. Suas vontades igualmente se difundem em ambientes dispersos. Seria um trabalho muito árduo - riu o velho .
Os campos vegetais do entorno o carregam para outra questão,ou exclamação,ou seja lá o que for. De onde viemos e pra onde vamos?Ele já havia pensado nisso inúmeras vezes durante sua melancólica sobrevivência e todas elas acabavam de forma assuatadoramente cíclicas.
Promíscuos salvadores,divagações nulas e ilusões sempre dançaram ao seu lado nas noites frias da Noruega. Mas é fato que ele nunca presenciou uma população de gaivotas se implodindo,nem viu leões marinhos se amontoando até a morte. Isso explica sua inquetação. Sua indignação desmedida é outro assunto.
Ele se ressente por não entender completamente o significado de tudo aquilo,o que o seu moinho e sua colina tinham de verdadeiros,o porquê do pôr-do-sol ter ficado tão sem graça. O que parecia apenas um ataque de fatalismo na verdade escondia uma falta imensa de matéria, de razão e de vida. Repentinamente ele não consegue se apoiar em mais nada,não vê mais os belos campos verdes da sua colina,nem sente a brisa fresca no seu rosto.
Tudo o que presencia se parece inevitavelmente com os contos de marujos ou bincadeira de esconde-esconde.Triste fim...melancólico,doloroso e irreversível. Mas um começo admirável e digno de menção.
sábado, 8 de novembro de 2008
Moinho de Bergen
sábado, 12 de julho de 2008
Gênese Humana
Primeiro escolha um homem
nao qualquer um
um bom homem
um homem honesto
um homem simples
depois retire-o do seu mundo
com muito cuidado
pra ele não se desfazer
coloque a cabeça no armário
os pés na solidão
o corpo no espaço
e a mente fica a seu criterio
escolha um lugar pro homem
o lugar mais calmo
da pintura
escolha tambem a morada
dos sentimentos do homem
cuide pra que eles nao fujam
regue diariamente sua angústias
e colha seus desejos numa cesta
pergunte a ela a intensidade
dos sonhos do homem
se for como o fogo do inferno
pode modelar o homem
mas se escorre como plasma
é melhor jogar a massa fora
e esquecer de esculpir sua alma.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Para "amor"
quarta-feira, 19 de março de 2008
terça-feira, 18 de março de 2008
Manifesto do Surrealismo (André Breton,1924)
segunda-feira, 17 de março de 2008
Encontros Insólitos Diários
Que estranho! - pensei.
Que diabos um macaco está fazendo numa sala de estar com um bisturi na mão!? Talvez ele fosse louco, ou desesperado. Se estender minhas possibilidades posso até me lambuzar numa situação cômica ou assustadoramente trágica. Mas esse macaco...
Ele se mexeu. Pulou até o beiral da janela e começou a contar estrelas. Virou-se para o espelho na parede esquerda. Fitou-me. Foi o olhar mais fustigante que eu poderia querer. Queria dizer-me algo. Passou um tempo balançando o dito cujo,passando-o de uma mão para a outra. Mas nunca desviou-me os olhos.O homen de terno cinza escuro riu da situação. O macaco não. Como num déja-vu o sociopata avançou e subitamente arrancou-lhe um dos olhos. Aquilo me deixou em catatonia profunda. Virou-se e olhou-me de novo aquele ser especial, enquanto o infeliz humano esvaía-se em sangue e vômitos.Queria mesmo dizer-me algo.Jogou o instrumento para cima querendo evidentemente que meus olhos o seguissem.Foi o que aconteceu. Quando a morte tocou o chão,reparei que algo acontecera.Não me atrevia a olhar,mas senti um alívio imediato de carga emocional.Parecia flutuar.Gostei daquilo,me sentia pleno e constante...até demais.Abri meus olhos á meia-luz e minha leveza não passava. Abri mais ainda e preencheu-me um vazio indescritível. Sentia que eu era nada. O macaco riu dessa vez. Parecia prever isso. Olhou-me novamente e sussurou mensagens em mímica simiesca que aparentemente eu entendia. Mas o que se sucedeu superou em muito minha real e ínfima interpretação do que estava acontecendo. Tudo ficou quieto de repente. Ele continuou a me olhar fixamente nos olhos,mas dessa vez parecia pedir desesperadamente por algo.Eu não entendia. Preferia sua mímica primitiva. Estendeu-me a mão. Eu então toquei-o de leve com a ponta dos dedos. Aquilo me gelou a espinha. Parecia que estava deixando definitivamente algo para trás.Quando dei por mim o macaco me tinha uma amizade como ninguém ousara ter antes. Ele finalmente se apoderou de mim e nós nos fundimos em um só plasma etéreo. Tudo então desapareceu. Ah, esse macaco...
Lanceta de Bronze
Esfrega a pele do desejo
Momento lírico monocromático
No céu o devaneio do louco
Aplaude e chama os sádicos
Comsumidos em frenesi por cânceres
Num insight meristêmico de nada.



